Jornada de seis horas: trabalhadores de Santa Catarina transformam antiga demanda em luta.

COMUNICADO 003/2014 ANED – Gestão 2014/2016

A luta pela redução do tempo de trabalho data do início da era industrial, quando os trabalhadores, devido aos baixos salários, à intensa demanda de tarefas repetitivas nas fábricas e à ausência de legislação trabalhista, eram obrigados a trabalhar em jornadas de até 16 horas diárias. Foi preciso muita mobilização para que as jornadas fossem gradativamente reduzidas. Só para ficar em um exemplo, em 1886, nos EUA, uma manifestação por redução da jornada, de 16 para 8 horas diárias, reuniu 180 mil trabalhadores e saiu-se, ao final, vitoriosa, apesar da forte repressão policial, com mortes e prisões. No Brasil, fortes greves permitiram que chegássemos hoje ao limite de 44 horas semanais de trabalho, conquistado somente na Constituição Federal de 1988. De lá para cá, houve avanços pontuais, para categorias que conseguiram se mobilizar, pressionar e convencer a classe política e o empresariado sobre a necessidade de redução do tempo de trabalho.


Na categoria de informática, trata-se de uma demanda antiga a redução da jornada para 30 horas semanais, sem redução dos salários. A redução possibilitaria um melhor aproveitamento do tempo de serviço, em um setor de trabalho eminentemente intelectual, geraria novos postos de trabalho e aumentaria sobremaneira a qualidade de vida dos trabalhadores, sem impor prejuízos às empresas. Os trabalhadores da Dataprev registram, historicamente, em suas pautas de reivindicações, esta demanda.


Nesse sentido, a Aned se solidariza e registra seu apoio incondicional à luta empreendida pelos trabalhadores da unidade de Santa Catarina, que tiveram a iniciativa de criar a Semana da Jornada Única de 6h. Ao passo que muitos companheiros buscam, legitimamente, soluções individuais para os salários rebaixados praticados pela Dataprev – muitos abandonam a empresa tão logo conseguem passar em um concurso com melhor plano de cargos e salários –, é de se saudar a combatividade e a participação coletiva dos trabalhadores catarinenses. Que essa experiência se estenda a outros estados, pois só a mobilização será capaz de nos fazer alcançar êxito nesta e em outras reivindicações, como ganho real de salários.


À luta, companheirada!


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