Geap: Dataprev Pilatos lava as mãos e reajuste de 62,5% deixará trabalhadores ao deus-dará!

A atual direção da Dataprev parece ter por meta entrar para a história das diretorias mais intragáveis, alheias e indiferentes às necessidades dos trabalhadores da empresa.

Em um comunicado cínico, a Dataprev anunciou, como se tratasse de uma grande conquista, que a Geap reajustará em 62,5% a participação dos dataprevianos no custeio de seus planos de saúde, a partir de julho de 2019. Enquanto isso, outra ponta, oferece 70% do INPC acumulado, nas negociações de nossa data-base, a esta altura já no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Ou seja: 3,5% de “aumento” salarial – em outras palavras, a garantia de perda do nosso poder de compra para a inflação!

O que acontece é muito grave! A empresa tira qualquer responsabilidade de suas costas e joga nos colos dos seus empregados a manutenção do cuidado com sua saúde e a de seus dependentes, sem se importar com uma questão que é fundamental para o desempenho do corpo funcional. A Geap tem uma história de prestação de serviços, com planos cujo custeio foi sempre dividido e solidário, entre empregadores e empregados das empresas públicas. É o chamado plano de autogestão. Mas, a atual direção da Dataprev não se importa: há mais de 3 anos – desde janeiro de 2016 – não recompõe, não reajusta sua participação, não se move, finge que não é com ela: lava as mãos diante de um quadro de abandono iminente do plano e de falta de cobertura de centenas de trabalhadores.

A maior parte dos que hoje pertencem ao quadro de associados Geap Saúde não terão como se manter no plano. Buscarão planos de menor abrangência ou o Sistema Único de Saúde (SUS). Não à toa, a própria empresa, numa mudança de rumo histórica, negada em outros momentos, quando havia manifesto interesse dos trabalhadores! A Empresa consente que haja contrapartida, em forma de reembolso, dos valores que cada empregado gasta com outros planos, nos valores que ela hoje oferece de custeio. A proposta parece benéfica – não estivesse a empresa há anos com esses valores congelados; não fossem os planos de mercado extremamente prejudiciais a um amplo setor de empregados, sobretudo os com mais dependentes ou idade; não estivessem nossos salários e benefícios, pouco a pouco, sendo comprimidos com perdas para a inflação.

Não dá para a direção da Dataprev manter uma postura que é irresponsável com as vidas que estão em jogo e com a própria empresa, que pode passar por uma crise de absenteísmo – como bem alertou, em comunicado recente, a OLT do Cosme Velho – nunca antes vista. A direção da Dataprev parece querer investir em transformar a empresa em uma empresa doente. Há pessoas em tratamento; há vidas em jogo. Há uma empresa que deveria estar em busca de crescimento e não agindo com mesquinhez administrativa e sem demonstração de qualquer empatia para com seu corpo funcional.
A diretoria da Aned faz um apelo público de que alguma saída para essa tragédia laboral seja buscada, entre representações dos trabalhadores, Dataprev e Geap, enquanto é tempo, para que possamos encontrar, juntos, uma forma de evitá-la.

Diga não a uma Dataprev doente!

 

 

 


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